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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Reforços

Numa daquelas coisas dos media, ficaram hoje juntas, algures na ordem do dia, duas notícias sobre crianças e sua educação.

A primeira tratava do caso de uma criança obesa no Reino Unido, em que os serviços sociais estavam a avaliar a possibilidade de retirar a custódia aos pais, acusando-os de negligência (entretanto já foi decidido que "por agora" a criança não será retirada).

Apesar de pouco mais ter visto que a pouco rigorosa reportagem da SIC (que no inicio diz que a criança pesa 90 quilos, "três vezes mais que o normal para a idade" e mais para o final informa que já chegou a pesar 98 quilos, "quatro vezes mais que o normal"), preocuparam-me as declarações da mãe:

"Ele recusa comer fruta, vegetais, saladas. Só quer comer alimentos processados. Quando não come mais nada, tenho de lhe dar as comidas de que ele gosta, não posso deixá-lo à fome."
Saltou-me à vista a dificuldade que esta mãe tem em lidar com a vontade do filho. Não desprezando que deverá existir algo de patológico no apetite da criança, a justificação com "ele recusa comer fruta" não me parece minimamente aceitável.

Estou certamente formatado pelo estilo de educação que tive, mas tenho recentemente partilhado o quanto agradeço uma frase, injusta e que muito me irritava, que ouvi muito em criança: "Tu ainda não tens idade para ter querer".

Nunca fui espancado, nem me lembro de levar muita palmada... Lembro-me mais talvez de ficar de castigo no quarto.
Mas lembro-me de ser bem educado, com disciplina e cultivo da responsabilidade, com independência mas com noção da realidade e do meu lugar.

E por isso neste caso não pude deixar de pensar que a mãe devia era colocar-lhe sempre o mesmo prato na mesa até o comer.

Mas falta a segunda notícia... A condenação, por parte do Conselho da Europa, da decisão do Supremo Tribunal de Justiça, de Abril de 2006, em que os castigos corporais são considerados lícitos desde que moderados e com fim educacional.

Eu não acho que a palmada seja solução na educação de uma criança. Nem quero educar os meus filhos assim. Mas acredito que a educação se faz através de reforços positivos e negativos.
Deve-se apostar essencialmente nos positivos, indiscutivelmente (e os negativos devem existir mas não sobre forma de violência física ou psicológica). Mas o que me parece é que nos dias de hoje não se aplicam nem uns nem outros. Não se castigam os comportamentos errados, tal como não se premeiam os correctos. Os educadores, por falta de tempo, má preparação ou mesmo deformação sociológica, descartam-se do seu papel e deixam os jovens sob sua alçada entregues à sua própria vontade, egoísmos e apetites.

Irónico é que com isto as crianças desenvolveram elas próprias o seu sentido inato de reforço positivo/negativo e aplicam-no nos pais para obterem o que querem. E assim há uma inversão de valores que leva à domesticação dos pais por parte dos filhos.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Um clássico

A lista de termos de pesquisa dos visitantes é sempre uma óptima e divertida fonte, recorrente e renovável, para qualquer blog.

Publicar links como "significado de sonhar com um pintaínho", macrocefálicos, "não culpado" inocente e artistas que mataram a mulher é, pelo menos para mim, material mais do que suficiente para me ir deitar satisfeito.

Por pouco!

Extraordinária recuperação! Se o melhor filme tivesse sido outro tinha ficado em primeiro lugar (exequo) nas apostas...

No total acertei 10 óscares em 24... Não foi mau de todo, tendo em conta que ainda não tinha acertado em nenhum depois dos primeiros 8...

E assim termino o relato... Não sou muito fã deste tipo de posts, mas teve a sua piada... Muito graças à pobre vizinha... E ao meu manhoso gato...

Novidades da cerimónia

O nível de comedicidade e interactividade desta cerimónia não para de me surpreender. Nunca tinha visto coisa igual!

Não é que estava a Ellen a falar e a campainha toca, a vizinha diz "Caramba, são três da manhã! É uma vergonha, vivo no terceiro andar e não consigo dormir com o som da televisão!" (eu vivo no segundo andar, não é assim tão longe...), o gato foge-me escadas acima, entra na casa da vizinha e diverte-se a ignorar as minhas chamadas e a fugir da vizinha...

E continuo em último lugar nas apostas dos óscares.

Apostas

O Cars perdeu... Devo dizer que até agora ainda não acertei em nenhum óscar... Ou ainda há coisas que não são tão óbvias como parecem, ou sou mesmo um desastre no jogo (e no amor).

E porque está o Jack Nicholson sem cabelo?

O estado das coisas

Há que confessar (a quem lhe interesse) que o meu esforço de disciplina não tem resultado a 100%.
Contudo há que esclarecer em particular a questão dos posts neste blog... Reconheço que não tenho vindo aqui em alguns dias, mas na maioria dos outros simplesmente não tenho nada sobre que escrever... Ou o mundo está mais desinteressante ou os comentários possíveis são demasiado óbvios... Ou na volta o problema é mesmo comigo, que sinto que nada posso acrescentar à realidade.

Ah, estão a começar os óscares!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ainda no espírito (ou falta dele) de ontem



«Você é... a cena da Passagem de Ano em "When Harry Meet Sally": Para si, a verdadeira declaração de amor deve ser sempre espontânea e não treinada horas a fio ao espelho. O amor deve sempre ter como base uma forte amizade, até para o ensinar a gostar dos defeitos da outra pessoa.»

Devo dizer que nunca vi o filme... Mas gosto do Billy Crystal e já achei piada à Meg Ryan (nos tempos de "Sleepless in Seattle").

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Exílio

Lembro-me de quando este governo foi eleito ter assumido o compromisso de não me pronunciar sobre a sua actuação até ao inicio da campanha para as eleições seguintes (de finais de Fevereiro até perto de Outubro, portanto).
Acredito que quem sai não-vitorioso de uma eleição deve reservar-se num "período de nojo", pois o vencedor beneficiará de um estado de graça que fará qualquer declaração da oposição soar ridícula e, até mesmo, ser acusada de mau perder.
"Deixa-os pousar" parece-me uma atitude mais sensata e menos desgastante para quem certamente já muito desgastado está pela contagem dos votos.

O mesmo se passa naturalmente no rescaldo deste referendo. Um mau ganhar de um líder partidário vencedor, que faz um agradecimento irónico e ofensivo "aos católicos", é considerado engraçado e fruto do entusiasmo do momento, enquanto o mau perder de um médico desconhecido perdedor, que diz "ah e tal, da outra vez valeu, mas desta vez o referendo não é vinculativo", já é considerado uma lamentável tentativa de pressão sobre o poder politico e desrespeito pelo poder popular.

Seguindo então a mesma ordem de ideias de 2005, e a não ser que seja convocado mais algum referendo, se calhar não me deveria pronunciar sobre as eleições transactas até às legislativas de 2009.
A ver vamos. Mas pelo menos por agora de nada serve abrir a boca. O processo legislativo irá seguir conforme quiserem os que se consideram vencedores, e qualquer contribuição será considerada demagógica, hipócrita e "atentadora da vontade do povo português". Esquecerão a tolerância que tanto advogaram e duvidarão de qualquer boa intenção.
É tempo de recolhimento. Para as mesmas instituições onde já estávamos antes.

YODA: Into exile I must go. Failed, I have.
in «Star Wars - Revenge of the Sith»

Euromilhões

Um post por dia...

Perante a necessidade de me redisciplinar decidi voltar a escrever pelo menos um post por dia. O irónico é que o faço já passa da 1h30 da manhã, em vésperas de uma reunião de trabalho que ainda não está preparada, e sem o mínimo assunto para escrever. Pelo menos não ao meu estilo.
O assunto do aborto está esgotado, por agora, o tremor de terra não o senti, mais uma vez, e nada de especial, ou surreal, tenho a partilhar.

Fica portanto apenas a sugestão para que vejam o «Scoop», um divertido filme com Raul Solnado.