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sexta-feira, 24 de outubro de 2003

Recados internos...

  Disseram-me que os meus últimos posts não estão grande coisa. Normalmente barafustaria, mas sinto o mesmo. Tanto que estive para nem os postar.
  Era suposto os ter escrito ao longo da semana passada, mas acabei por só escrever o primeiro e o início do segundo. O resto ficou para ser escrito à pressa.

  Assim sendo, suspendi os textos sobre a prisão preventiva e o papel dos media na justiça dos nossos dias. Ficam para data posterior, talvez depois dos nossos vizinhos fazerem o prometido post sobre as divisões dos blogs.
  O contador mostra que, para além da tal pessoa que referi, pouca mais gente lê o que escrevo, portanto a perda não é muita.

  Volto quando estiver menos empenhado na Faculdade (o ânimo inicial não costuma durar muito...). Quererão os outros Artistas Anónimos inscritos fazer o favor de postar alguma coisa, para o blog não parar?

quarta-feira, 22 de outubro de 2003

Ónus da prova...

  Escrevo acabado de ver a repetição da «Causa Justa», na TVI, seguida da repetição de «O Espírito da Lei», na SIC. Penso se correrei o risco de me repetir também...

  Apesar de, na teoria, qualquer pessoa se presumir inocente até à data da condenação, cabendo ao acusador, na maioria dos casos o Ministério Público, procurar provas, na realidade esse é um papel que anda sempre de um lado para o outro, ao longo do processo. É o ónus da prova.
  Quando o MP tem provas fortes, passa para o arguido o fardo de provar a sua inocência. Na minha opinião, é este processo de pesos e contra-pesos que contribui para o apuramento da “verdadeira verdade”.

  Sendo o Ministério Público a entidade que representa o Estado, aquele mesmo Estado que legisla, há tendência para o idealizar como justo e imparcial. Nada mais errado! O MP é uma parte do processo, logo é parcial. E mal seria que não fosse, pois os processos ficaria com menos uma facção, e o sistema não funcionaria.

  E funciona? Afinal, quantas partes tem um processo?
  Ora, é natural que o Ministério Público queira proteger os seus trunfos, as suas provas, as suas testemunhas. O que já não é natural é o Juiz agir como parte do Ministério Público. Ficamos assim de novo com a balança desequilibrada.
  Penso que é o que acontece. Talvez movido pela tal ideia de Ministério Público imparcial, e com as melhores das intenções de justiça, o Juiz pende para o lado do MP. Apesar do honrado propósito, o Juiz deveria agir tal e qual como no referido litígio entre a Tia Ermelinda e o Sapateiro da Esquina.

  Não recorrendo às famigeradas fugas de informação, mas sim a documentos publicados oficialmente pelos tribunais, sabemos que na noite do primeiro interrogatório a Carlos Cruz «o arguido optou por negar os factos (tendo fornecido o seu número de te1emóve1) e face à negação, face ao simples facto que o arguido não poderia desconhecer as ocorrências (se as mesmas tivessem tido lugar, o que mantém não ter acontecido); não tinha o Tribunal de indagar mais pormenorizadamente nada pois que a resposta que se seguiria seria a mesma: nada aconteceu.
  Assim, e aqui chegados temos de considerar que o divu1gar de mais pormenores implicaria dar a conhecer os meios de prova, seja pela via directa, seja pela via da intuição, pois chegados a um ponto é impossível dissociar uns dos outros.
».
  O Juiz achou que «negando o arguido ter cometido actos de abuso sexual de menores e de alguma vez ter praticado actos de natureza homossexual, bem como manter contactos com alunos ou ex-alunos da Casa Pia ou frequentar a casa de Elvas cuja fotografia lhe foi mostrada, seria desnecessário passar desses factos gerais para qualquer concretização», explicando que «a falta de concretização é para que o arguido não saiba a que factos concretamente se reportam os autos “seja pela via directa, seja pela via da intuição” (sic)».

  A decisão do Juiz claramente protege os elementos de prova do Ministério Público. Dizer-se-á que para proteger a investigação. Provavelmente. Mas é aqui que tem de entrar a imparcialidade do Juiz. O objectivo não pode ser castigar culpados a todo o custo, mas sim proteger inocentes a todo o custo. Mesmo que esse custo desfavoreça a investigação em curso.

  Se por acaso se estão a interrogar qual a minha opinião neste processo, estou com inclinação para o lado do Ministério Público. Tal como me parece que esteja grande parte da população. Isto sem prejuízo de esperar que os arguidos, alguns figuras queridas dos portugueses, estejam inocentes.
  E também estou com essa maioria que acha que o Juiz Rui Teixeira é um bom homem. Mas não ando na rua a gritar o nome dele, e a eleva-lo a herói. Eu acho que também sou um bom homem, e não gritam por mim. Nem sou um herói.
  Acredito que o processo teria a ganhar com maior transparência e imparcialidade; que quantos mais elementos de prova tivermos, de um lado e de outro, melhor se chega à verdade.
  Passem a bola para o outro lado.

Arguido...

  Continuando as minhas deambulações ignorantes pela Justiça... Hoje deixo aqui, não o que sei, mas o que penso que é o estatuto de arguido.

  Penso que há um equivoco quando se afirma que um arguido é uma pessoa nas mesmas condições que outra qualquer.
  Dizer que eu sou inocente no âmbito do caso Casa Pia é absurdo. Presumirem-me inocente é ainda mais. Isto porque não tenho qualquer ligação ao processo, pelo que não faz sentido aplicar estas classificações.

  Quando existem indícios ou acusações sobre o envolvimento de alguém em dado processo, recaem suspeitas sobre essa pessoa. É-lhe então atribuído o estatuto de arguida, de forma a lhe possibilitar a defesa perante essas suspeitas. É um estatuto de protecção, e que, em princípio, atribui ao indivíduo mais direitos que deveres.
  É por isso que é relativamente fácil passar de testemunha a arguido, pois a testemunha geralmente está envolvida no caso, tornando-se permeável a suspeitas.

  Nesta fase o suspeito não é culpado nem inocente. Presume-se inocente, o que é diferente. Só depois do processo é que é declarado uma coisa ou outra. No sistema anglo-saxónico chegam ao preciosismo de declarar o ilibado apenas como “não culpado” (not guilty), tendo de ser este, posteriormente, a avançar para tribunal em busca da efectiva declaração de “inocência”. Cá não sei se é assim, mas penso que não.

  Se não sujeito a nenhuma medida de coação, o arguido pode prosseguir com a sua vida normal, inclusive a sua vida profissional. Deve, porém, ter o direito de não o fazer, para se proteger.

  Vamos então ao caso concreto. Paulo Pedroso tem o direito de regressar ao seu trabalho no Parlamento. Há quem peça demissões de ministros por tudo e por nada. Não sou assim. Das duas uma: ou ele está realmente inocente, e tem todas as condições morais para exercer o seu mandato, ou é culpado, um criminoso com crimes tão reprováveis que a afronta de se manter nas funções de Deputado nem será recordada.
  Não pode é ser recebido como herói, numa casa que a todos representa. Essa sim, será a afronta recordada, caso se verifique a condenação de Paulo Pedroso. Esperemos que não.

segunda-feira, 20 de outubro de 2003

Utopia...

  Ouve-se muito, ultimamente, que temos de discutir a Justiça. Mas não os casos concretos, dizem eles. Não prometo fugir a esses casos, mas vou fazer uma série de posts sobre o tema, partindo do mais básico: o que é a Justiça?

  O que a seguir escrevo é a opinião que tenho há já há largos anos, vinda de longas e repetidas discussões com o meu pai, sobre a pena de morte. Trata-se de uma concepção teórica da Justiça, que admito ser difícil/impossível de implementar. Mas se não mantivermos sempre a fasquia ao nível do ideal, estamos condenados a começar a nivelar por baixo.

  Não sou apenas contra a pena de morte. Não aprovo a prisão perpétua, e até acho a pena máxima de 25 anos excessiva. E porquê?

  Para muitos, justiça é castigar quem não cumpre uma determinada regra. Mas quem somos nós para castigar? Quem somos nós para julgar? Quem somos nós para impor regras?
  Sozinhos não somos nada! A nossa moral, o nosso sistema de valores não é mais ou menos válido que o do próximo, e não temos legitimidade nenhuma para impor regras a quem quer que seja.

  Por isso juntamo-nos em sociedades, de forma a proteger os nossos interesses e a termos maior segurança. Essa sociedade estabelece um sistema de valores comum, que abrange todos os seus membros. Numa sociedade ideal, verdadeiramente democrática, esse sistema de valores corresponde à vontade da maioria, à moral vigente nessa sociedade (com o necessário lapso temporal, para evitar “modas” e outras alterações temporárias de valores).
  E quem se recusa a cumprir essas regras? Continuamos sem poder condená-lo por ser como é, e por ter uma moral diferente da nossa, mas temos agora uma legitimidade reforçada: a protecção da nossa sociedade.
  Temos agora o direito de isolar o indivíduo desrespeitador da sociedade, de forma a manter os seus elementos seguros.

  Como disse num post anterior, se alguém não se adapta à sociedade onde vive, ou sai dela ou se sujeita às medidas de reeducação estabelecidas pela sociedade.
  É evidente que há situações que são crime num local e não o são noutro. É natural, são sociedades diferentes, com pessoas diferentes, logo um sistema de valores diferente. Se alguém não se enquadra nas regras de um país, deve-lhe ser dada a possibilidade de se mudar para um local onde tal regra não exista. Mas, se optar por permanecer, tem de se sujeitar ao isolamento, até que possa ser reintegrado.
  Dificilmente se encontra uma sociedade que não condene o homicídio e outros crimes graves. E se se se encontrar, há uma supra-sociedade que envolve todas, a Humanidade, com os Direitos Humanos. Uma sociedade que não a respeite deve, ela própria, ser isolada.

  Esta é, então, a única legitimidade que temos: protegermo-nos. Isolamos o elemento perturbador, e temos o dever de o reeducar e integrar na sociedade. Não estamos a fazer um favor a ele, mas sim a nós.

  Por isso sou contra a pena de morte e a perpétua, por serem incompatíveis com este princípio. Na pena de morte a sociedade comete um crime igual ou maior que o criminoso, pondo fim à sua vida. Na prisão perpétua o indivíduo é dado como irrecuperável, e isolado da sociedade para o resto da sua vida.

  Custa-me ver pessoas que mataram outra, num acto consciente mas irreflectido, e que nitidamente não têm intenção de repetir o feito, serem condenadas a passar um quinto das suas vidas na prisão.
  Por isso não encaixo na cabeça o conceito de duração de pena. Se o objectivo do isolamento é reintegrar o condenado, este deve ser liberto quando estiver em condições de o ser. Quer seja passado um ano, quer seja nunca.   Há que, porém, existir um limite para cada tipo de crime, para evitar abusos do sistema. Vinte e cinco anos (um quarto de vida!) parece-me notoriamente excessivo.

  Como avaliar a aptidão para regressar à sociedade? Empregando as centenas de psicólogos que saem todos os anos das faculdades. O nível de desenvolvimento da psicologia ainda não está suficientemente desenvolvido? Problema nosso. Se não temos os meios, não podemos prejudicar o próximo. A sociedade terá de aceitar o risco, e libertar o detido. O condenado consegue enganar o sistema? Paciência. A reincidência será um factor a ter em conta.
  As instalações prisionais têm de ter condições, não as mínimas, mas as necessárias. Chega do argumento de que parece que pomos os presos num hotel! Estamos a priva-los de um direito deles, a liberdade, para assegurar um nosso, a segurança.

  Costumam me perguntar o que faria eu numa sala com um eventual assassino da minha família e amigos. Essa é uma pergunta que poderei fazer a mim mesmo, ao longo do meu caminho de Cristão, se saberia perdoar ou não. Mas é uma pergunta sem validade nesta discussão.
  É para evitar a vingança pessoal e falta de objectividade que entregamos a aplicação da justiça aos tribunais. Mal está o sistema se acabar por reflectir a mesma falta de objectividade, e agir de uma forma vingativa, neste caso a vingança de uma sociedade contra um indivíduo.
  Não estamos a castigar crianças, são pessoas. Andamos a dar tautau a quem não faz o que lhe mandam? A justiça não deve ser punitiva, mas sim preventiva. Previne-se que volte a fazer o mesmo outra vez. O que está feito, feito está.

  Falhas a apontar a este texto? Certamente muitas, como o facto de não ter em conta o efeito dissuasor da duração das penas, entre outros. Mas este é o ideal de justiça que sigo, e não me acho no direito de julgar para além dele.

  Comentários?

  PS: Note-se que falo de Justiça Criminal, não sobre o caso do salto alto defeituoso do processo Tia Ermelinda versus Sapateiro da Esquina.

Outro poema...

  Para encerrar esta semana poética.

  

  Em breve, o tema desta semana.

domingo, 19 de outubro de 2003

Amor, por Antero de Quental...

Abnegação

Chovam lírios e rosas no teu colo!
Chovam hinos de glória na tua alma!
Hinos de glória e adoração e calma,
meu amor, minha pomba e meu consolo!

Dê-te estrelas o céu, flores o solo,
cantos e aroma o ar e sombra e palma,
e quando surge a lua e o mar se acalma,
sonhos sem fim seu preguiçoso rolo!

E nem sequer te lembres de que eu choro...
Esquece, até, esquece, que te adoro...
E ao passares por mim, sem que me olhes,

possam minha lágrimas cruéis,
nascer sob os teus pés flores fiéis,
que pises distraída ou rindo esfolhes!
Idílio

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces...

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.
Ideal

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios e nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estrita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem, que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do desejo...
Beatrice

Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando,
Se foi a nuvem de ouro ideal que eu vira erguida;
Depois que vi descer, baixar do céu da vida
Cada estrela e fiquei nas trevas laborando:

Depois que sobre o peito os braços apertando
Achei o vácuo só, e tive a luz sumida
Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida
A flor do meu jardim, que eu mais andei regando:

Retirei os meus pés da senda dos abrolhos,
Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos
Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém...

Não temas pois - Oh vem! o Céu é puro, e calma
E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma...
A alma! não a vês tu? mulher, mulher! oh vem!
[Amor por Antero de Quental (05/11/1998)]
  Antero de Quental não me parece ter uma ideia exacta de amor. Sendo um realista, Quental não consegue exprimir a sua emotividade. O seu carácter fundamentalmente pensador e conceptualizador tenta racionalizar o amor, coisa extremamente difícil, senão impossível.

  Os seus sonetos reflectem apenas anseios e abstracções sobre o problema, não sendo, cada um deles, mais do que diferentes teses. “Abnegação” defende o amor unilateral, baseado no sacrifício de apenas um em relação ao outro. No entanto, em “Idílio” define o amor como a contemplação silenciosa entre os dois. E no “Ideal” a sua amada já é algo indefinível, algo que o ultrapassa e que ele aceita como sendo o tudo, ou o ideal.

  Sem grande imaginação do ponto de vista linguístico, recorre muito aos lugares comuns, ou topos, como se vê nos “lírios” presentes em quase todos os poemas, ou nos desejos demonstrados pelo sujeito poético de “Abnegação”, que são uma enumeração de diversos lugares comuns poéticos.

  O que mais difere destes é o “Ideal”. Neste Quental nega os topos para afirmar o seu amor. A sua amada não é tudo aquilo que ele negou. Ela é única. A ideia da negação para a afirmar dá-nos inclusive a sensação que se ela não é aquilo negado, então é porque é mais. No entanto a negação dos lugares comuns não é a utilização deles? Claro que sim. Mais uma vez Quental socorre-se deles, apesar de negá-los, para definir o seu amor.

  Isto tudo deve-se à óbvia dificuldade que há em definir racionalmente o amor. O próprio Camões, renascentista, logo adepto da racionalidade, utiliza antíteses para o definir, que é talvez a mais forte afirmação de irracionalidade, pois aproxima dois conceitos opostos.

sábado, 18 de outubro de 2003

O convertido...

Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.

Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!

Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe!


  Antero de Quental

sexta-feira, 17 de outubro de 2003

"Estou-me cagando para o segredo de justiça."

  Líder da oposição, 21 de Maio

Requisitos...

  Preparando-me para o trabalho de amanhã...

“Hello, Phil? This is Maria in Human Resources. We’re having a problem with the employee system you programmed for us. An employee just changed her name to Sparkle Starlight, and we can’t get the system to accept the name change. Can you help?”

“She married some guy named Starlight?”

“No, she didn’t get married, just changed her name,” Maria replied. “That’s the problem. It looks like we can change a name only if someone’s marital status changes.”

“Well, yeah, I never thought someone might just change her name. I don’t remember you telling me about this possibility when we talked about the system. That’s why you can get to the Change Name dialog box only from the Change Marital Status dialog box,” Phil said.

“I assumed you knew that people could legally change their name anytime they like,” responded Maria. “We have to straighten this out by Friday or Sparkle won’t be able to cash her paycheck. Can you fix the bug by then?”

“It’s not a bug!” Phil retorted. “I never knew you needed this capability. I’m busy on the new performance evaluation system. I think I have some other change requests for the employee system here, too.” [sound of rustling paper]
“Yeah, here’s another one. I can probably fix it by the end of the month, but not within a week. Sorry about that. Next time, tell me these things earlier and please write them down.”

“What am I supposed to tell Sparkle?” demanded Maria. “She’s really going to be ticked if she can’t cash her check.”

“Hey, Maria, it’s not my fault,” Phil protested. “If you’d told me in the first place that you had to be able to change someone’s name at any time, this wouldn’t have happened. You can’t blame me for not reading your mind.”

Angry and resigned, Maria snapped, “Yeah, well, this is the kind of thing that makes me hate computer systems. Call me as soon as you get it fixed, will you?”

Dor de pensar... (5)

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,.
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!


  Fernando Pessoa

quinta-feira, 16 de outubro de 2003

Dor de pensar... (4)

Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.


  Fernando Pessoa

quarta-feira, 15 de outubro de 2003

  Haverá uma formula matemática que explique as mulheres?

É nobre, é Junior...

  Porquê a publicidade televisiva da Nobre Junior ensina actos terroristas às nossas crianças?

Dor de pensar... (3)

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual a errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.


  Fernando Pessoa